Recuo dos EUA face à pressão econômica do Irã é analisado
Donald Trump recua de ataque ao Irã pela 2ª vez, diante da pressão econômica e do petróleo a US$ 110. Analistas veem limitação de Washington e impacto em mercad
Por Redação | 27/03/2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou seu segundo recuo em menos de uma semana em relação à ameaça de atacar a indústria de energia do Irã. Esta decisão expõe as significativas limitações de Washington em escalar o conflito, especialmente diante dos efeitos econômicos adversos provocados pelo fechamento do Estreito de Ormuz e pelos ataques à infraestrutura energética das monarquias do Golfo Pérsico.
Apesar do recuo, o preço do barril de petróleo manteve-se em torno de US$ 110. Concomitantemente, as ações de Wall Street registraram os valores mínimos dos últimos seis meses, enquanto os mercados de títulos da zona do euro e do Tesouro dos EUA experimentaram uma queda. Este cenário reflete a volatilidade e a incerteza geradas pelas tensões geopolíticas.
Análise Econômica da Crise
Pedro Paulo Zaluth Bastos, professor de economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), avalia que as ameaças de Trump são “vazias”, feitas para “ver se cola”. Segundo Bastos, o presidente recua quando percebe que a estratégia não surte efeito, pois entende que a destruição da capacidade petrolífera iraniana levaria a retaliações no Golfo Pérsico.
Tal escalada, conforme o professor, poderia fazer o preço do petróleo bater recordes, possivelmente superando US$ 150 e até alcançando US$ 200. Esse aumento drástico teria consequências severas, “destruindo inteiramente a popularidade de Trump nos EUA”, não apenas entre eleitores independentes, mas também dentro de sua própria base, devido ao impacto econômico generalizado.
Implicações Políticas Internas
A percepção de analistas é que a continuidade da guerra e suas repercussões econômicas corroem o apoio político a Donald Trump. As decisões de política externa, especialmente aquelas que afetam diretamente a economia global e o custo de vida dos cidadãos americanos, tornam-se um fator crucial para a sustentação de sua popularidade.
O cenário atual sugere uma delicada balança entre a retórica assertiva e a prudência econômica, com Washington calculando os riscos de uma escalada que poderia ter um custo político e econômico proibitivo, tanto no cenário internacional quanto doméstico.
Com informações da Agência Brasil.